sábado, 7 de julho de 2012

Útero

Há um lugar indizível
onde recolho os traços
das primeiras águas


onde o tempo errante
reúne em mim as sílabas
que me vestem
na cumplicidade de imprecisas vozes


numa claridade onírica
que se dissolve
nas insubornável transparência
do espelho.


Há num lugar invisível
a eternidade de um útero
o genético apelo da profundeza da terra
o calor inteiro da protetora vigília
quando o frio me rasga as veias


e não passa
e não passa…


Brígida Luz

2 comentários:

  1. Também gosto do fato de ser feminina e com todos esses hormônios que nos sensibilizam. Um abraço, Yayá.

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  2. A uterina etéreadade* do verso
    como lugar indizível
    como espaço primordial

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    Vir aqui ter(imprecisos são os cibernéticos caminhos)
    e encontrar(nos dez poemas que li e reli)
    traços de evidente qualidade
    e uma cativante profundidade
    no que se diz e como se diz

    Um espaço de indiscutível poesia
    (surpreendente, como o é todo o desconhecido)
    a que voltarei seguramente

    Bjo.

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