terça-feira, 31 de julho de 2012

Na meia-voz das palavras



Venho de um tempo feito de longes
de um tempo insuficiente
suspenso no outro lado do mundo
entre raízes de mitos submersos
e a agonia do poente
preso às lágrimas dos versos.

Olhares opacos movem-se atrás de muros
segredados
o chão abre-se em fendas
escorrega sob os meus pés
agarrados ao vento.

Mas os meus dedos calam suavemente a solidão dos ciprestes
guardam docemente os retratos
rasgados no adormecer do sol
e recontam as histórias
que o silêncio das árvores faz descer dos ramos dourados
e sonhar aromas de violetas
na meia-voz das palavras.

Brígida Luz

4 comentários:

  1. Procedo do tempo que procede o vento

    "Venho de um tempo feito de longes
    de um tempo insuficiente
    suspenso no outro lado do mundo
    entre raízes de mitos submersos
    e a agonia do poente
    preso às lágrimas dos versos."


    A meia da voz, a palavra

    Belo.

    Bjo.

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  2. ciprestes e violetas na meia-voz das palavras - território de vida ágil, paredes meias com as sombras.

    beijinho!

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  3. a tua poesia é linda, nem me atrevo a comentar com minhas palavras...

    beijo

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  4. Um deambular entre a luz e a sombra por caminhos da memória.

    Um beijo

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