quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma Cidade ao Fundo do Tempo

Habita-me uma cidade
escondida no fundo do tempo
com ruas de solidão vencida
e a melodia dos búzios
que o mar trazia.

A dor não gemia
e as árvores sentavam-se a meu lado
e abrigavam a vida com as palavras
que tinham no coração
com tempo
porque o tempo não existia.

Havia sombra
e silêncio
e sofrimento
o inverno já tinha nascido
o vento soprava
e eu apanhava a folhagem que tombava no chão
e com ela escrevia
as cartas do amor que sentia.

Agora estou aqui
a suspirar silêncios
porque emudeci
e não quero mais
do que uma cidade escondida
que não me esqueça e me habite
para sempre
ao fundo do tempo.

Brígida Luz

2 comentários:

  1. Que a poesia lhe seja sempre voz e luz.

    Grata pela sua passagem pelo meu lugar. Também gostei de aqui vir.

    Um abraço

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  2. "Agora estou aqui
    a suspirar silêncios
    porque emudeci
    e não quero mais"


    Talvez toda a luz seja fragmentada
    Assim como todo o verso provém do fundo do tempo

    Bjo.

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