domingo, 29 de dezembro de 2013

A filigrana dos sonhos


Foto de Vuk Adzic

Penso em ti
à distância da voz
cíclica construção de azuis
aroma perfeito
a inventar promessas
inocentemente sufocadas
por dentro das veias.
Atravesso
a misteriosa filigrana
dos sonhos e apercebo-me
da luz a demandar
infinitos fugidios.
Dir-te-ei dos pássaros indomáveis
moldados nas lembranças.
Escrevo no olhar
ausências e regressos
e, em silêncio, retomo
o invisível gesto de amadurar o tempo
que me nasce dos dedos.

Brígida Luz

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Na lucidez dos ciclos


Imagem Google


Podemos romper paredes
trazer para dentro de casa
um rosto pele de musgo
sob a folhagem de um tempo ambíguo.

Esfregamos as pálpebras
a diluir nas nuvens
o que, na lucidez dos ciclos, poderia ter sido.

Não sei se nas paredes
se desdobram os ecos
ou ponteiros de relógios invisíveis.

As árvores dançam ao fundo da noite
e nem o doce brilho de dezembro
confunde a solidão que as habita.

Brígida Luz

domingo, 8 de dezembro de 2013

... e a palavra nasce


Foto de Marián Uhrín


Antever a luz
na arquitetura dos dias.

Despir as sombras, o vácuo
que adormece as veias

para atravessar o pólen extasiado
da manhã.

Ousar na pele
o toque dos pássaros

um bater de asas

a encostar o tempo
à serena cumplicidade do silêncio.

Consentir o corpo de luz
onde
leve
a palavra nasce

como seara de seda
na voz _talvez_ embaciada do olhar.

Brígida Luz