quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Os teus olhos a chegarem devagar

Num gesto mal dormido
apoiei na mesa o tempo da espera.

Os teus olhos a chegarem devagar
em dia de azul-cinza.
O silêncio dissolvido em frases incompletas.
A manhã atirada
contra a expectativa dos dias.

E os teus olhos
em dia de azul-cinza.

Depois, os teus passos nítidos
a morrerem vagarosamente no vazio absurdo
que gelava todas as coisas
que deixavam para trás.

E eu alheada de mim
e os meus olhos presos deslumbrados
e a rua a correr em sentido inverso
perdida na neblina.

Brígida Luz
03.10.16