quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O barro da infância



E percebi o abandono
das sementes do céu
das velas de agosto


e os rios a correrem
à altura das lágrimas.


Já aqui não estou

percebi

caminho por dentro de um sufoco
cortado pelo meio


durmo com o barro da infância

com a solidão das árvores
que aceitaram vestir-se de inverno.


Que horizonte é este
que leva os meus olhos por dentro?


Dói-me a luz
sombra da memória
a escorrer do tempo


como se chamasse pelas pedras
como se batida pelo vento.


Brígida Luz

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Invernia


Nada te conto
destes muros do silêncio
em que reconto as areias do tempo


ou do oásis onde me encontro
a coabitar os círculos concêntricos
da inquietude dos pássaros.


No meio do silêncio
são tantas as cores dos sussurros do vento
e a luz
estátua de pedra
alheia à infinitude do verbo.


E dentro de mim
o tempo exposto
a tarde a cair
lenta
fria
a esculpir a cadência da chuva
rumor de metáforas
e de metonímias.


Brígida Luz