sábado, 30 de junho de 2012

Mãe

Mãe,
ontem não fui ao cemitério,
nem há muitos anteontem.
Não sei como dizer-te desta lágrima
que me embacia o olhar
e se fixa na garganta,
num nó
que não me deixa falar.
É-me difícil encarar-te.
Sei agora avaliar
o quanto te fiz sofrer,
mas não há como retroceder.
Tanta verborreia que eu podia ter evitado...
Mas tu sabias
que eu não conseguia fazer amizades,
como ainda hoje o sabes,
porque eu só precisava
que tu fosses a minha melhor amiga,
como o és ainda hoje.
Sabes que,
às vezes,
escrevo os meus desabafos
e sonho que faço poesia,
mas também sabes
que eras só tu quem me ouvia.
Não há como voltar atrás,
vou respirando sozinha.
Bebo a chuva
em que secam as palavras,
afago as ausências
na tela que reveste o coração.
Sei que estás aqui bem pertinho de mim.
Vamos silenciar as lembranças,
acho que nem te vou pedir perdão.
Basta que fiques assim,
que me dês o teu ombro,
o teu regaço
e que guardes nas tuas a minha mão.
Até sempre, Mãe.


Brígida Luz
03.05.10

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