quinta-feira, 11 de julho de 2013

Rasuras



Rasurando desalinhos. Ferrugens
estéreis
na linguagem intransponível
dos olhos. A mente
em fuga
no atropelo do corpo.

Poeiras de desmemórias
ou encriptação dos afetos?

Na inconformidade dos dedos
reescrevo as horas permeáveis
à proximidade da pele. Como se não
se tivesse esgotado
um tempo que aconteceu. Livre.
E imensurável. Desconstrutor de margens
dentro de nós.

Entre os destroços, decerto
encontrarei um abrigo remendado de palavras.

Brígida Luz

2 comentários:

  1. Muito belo!

    Tocante! O sentido da perda assimilada e, simultaneamente, a dor do perder.

    Um beijo

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  2. No ciclo das marés

    as pontes permanecem
    a olhar as águas correntes

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