Existem silêncios que se erguem
como catedrais.
Vastos
vertiginosos
onde a alma se acende em claridade
e cada pensamento encontra o seu altar.
Mas há outros que nos rasgam.
Fendas antigas
onde ecoa apenas o peso do impronunciável
monólogos que nos empurram para dentro de ravinas sem nome.
São silêncios em que o mundo se retrai
os poentes afastam-se
e a noite aprende a falar por nós
com uma voz que não escolhemos.
Ainda assim
caminhamos entre eles.
Entre a luz que nos amplia
e a sombra que nos comprime
sabendo que cada abismo
pode ser também um regresso.
Porque
às vezes
o silêncio fere.
Mas outras vezes
devolve.
E
no seu fundo inesperado
uma claridade pequena insiste em não desaparecer.
BL
21.07.26
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