terça-feira, 21 de julho de 2026

Entre catedrais e ravinas






 Existem silêncios que se erguem

como catedrais.

Vastos

vertiginosos

onde a alma se acende em claridade

e cada pensamento encontra o seu altar.


Mas há outros que nos rasgam.

Fendas antigas

onde ecoa apenas o peso do impronunciável

monólogos que nos empurram para dentro de ravinas sem nome.


São silêncios em que o mundo se retrai

os poentes afastam-se

e a noite aprende a falar por nós

com uma voz que não escolhemos.


Ainda assim

caminhamos entre eles.


Entre a luz que nos amplia

e a sombra que nos comprime

sabendo que cada abismo

pode ser também um regresso.


Porque

às vezes

o silêncio fere.

Mas outras vezes

devolve.


E

no seu fundo inesperado

uma claridade pequena insiste em não desaparecer.




BL

21.07.26





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