Pergunto-me quem fui.
E o silêncio abre-se
lento
como se a memória tivesse de atravessar
esta neblina matutina
para encontrar o próprio rosto.
Pergunto-me quem fui.
E o silêncio abre-se
lento
como se a memória tivesse de atravessar
esta neblina matutina
para encontrar o próprio rosto.
Fico muda
com o tempo a pousar-me nos ombros
sem que eu entenda
se aquilo que ele carrega
será leme
ou armadura.
A resposta cresce
orgânica
num verbo que respira fundo
antes de existir
enroscado na cegueira de um nome
que só sabe conjugar-se em pretéritos imperfeitos.
E há uma baba de presunção
em todos os desígnios.
Uma vontade
de fixar o que escapa
de ordenar o que nunca Se deixou ordenar.
Talvez por isso
permaneço quieta.
Porque ainda não aprendi
a escrever o que fui
no pretérito perfeito
de palavras convergentes.
BL
20.07.26
Sem comentários:
Enviar um comentário