quinta-feira, 4 de maio de 2017

Relógio de sol

Embriagada pelo sonho da flor
pintou o tempo numa grande tela
em gotas de sol e de emoção.

Remanescente a cadência do mar
a magia do azul
em eterna mutação.

Em câmara lenta

[ a desfrutar da espera ]

depois da brisa
que lhe acordou memórias


explicar o silêncio no rosto do mundo

ou a seiva entranhada em sílabas precárias
que lhe secam nas mãos.

Sabe da pele e da luz temporária
albergue de música a dissolver
a noite.

Sabe de um nome que lhe segreda aves
a lembrarem a brevidade das folhas

e a semente a envelhecer submissa
à sede que lhe atravessa
a cor.

Brígida Luz
04.05.17

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