quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

... a espaços



às vezes sobram-me espaços
entre a voz e o interior da luz


o corpo
indizível
entre musgos e espigas
e as mãos
imóveis
caídas ao longo do sonho


depois
a entrada do olhar
na insónia dos rios


e a nudez da memória

em queda

cativa da noite
e das marés do tempo áspero


singrando esperas
no silêncio das aves.


Brígida Luz

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Entre musgos e espigas, que a alma seja o que o corpo não diz, e permaneça, haste redentora, capaz de rasgar a escuridão das nuvens e de plantar o sonho em qualquer espaço.

    A tua poesia chega sempre tão perto do indizível... sempre tão perto, Brígida.

    Um beijinho

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  3. Teus versos são sempre muito mais do que palavras
    (qualidade rara, que é traço de qualidade)
    são mundos sobre mundos onde me encontro

    Talvez porque
    também a mim
    "às vezes sobram-me espaços
    entre a voz e o interior da luz"

    Tua poesia exige ser sentida
    num quase silêncio
    numa quase voz

    "o corpo
    indizível
    entre musgos e espigas
    e as mãos
    imóveis
    caídas ao longo do sonho"

    Ler-te é irrecusável
    Um imenso e crescente prazer

    "Sem espaços"


    Gostei Muito

    Bjo.

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  4. Gosto desta fusão do sonho com a realidade, do mito com a ilusão.
    Um bom ano.

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  5. Querida Brígida,

    Entre os espaços da minha emoção,as palavras vão surgindo,

    carregadas de um silêncio contemplativo da tua imensa poesia...

    "As vezes sobram-me espaços

    entre a voz e o interior da luz"

    Espaços inscritos em pura poesia,espelhados da voz e melodia do

    brilho luz dos voos da alma da poetisa,trazidos nas asas dos

    sonhos que semeiam a realidade...

    A tua ímpar poesia sempre me emociona!

    Feliz ano novo!!

    Beijinhos.

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  6. Sobram espaços, sobram sonhos
    Sobra a alma, apegada ás memórias

    Gosto muito, muito, da tua poesia.

    Beijo

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  7. Que bom que a encontrei (de novo)
    e que não a perdi
    mas ganhei novamente o gosto da sua brilhante e sentida
    POESIA

    Um beijinho Brígida,

    Tudo de bom,

    Jessica Neves *

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