Esta vontade assim vestida
num tempo de gerânios encarnados
e os olhos mar de esperança
na claridade da vida.


Esta vontade de ser vento
grito despojado de culpa
murmúrio d’águas mansas
em raízes de linho.


Esta vontade em mim a crescer húmus
terra adentro
as mãos a aquietarem
a frágil semente
a rasgarem o absurdo
dos medos.


Esta vontade de ler
no teu olhar o mundo inteiro


esta vontade azul de ser árvore

e sentir-te voar.

Brígida Luz