quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Rostos de silêncio



Como se as ruas fossem rostos de silêncio
sem portas sem janelas
e os passos se juntassem na inquietação da manhã.


Sei de mim a desordem do tempo
na epiderme dos dias
e o nada que resta dentro dos nomes
em que me desdobrei.


Tantas coisas se passam dentro da palavra
e nas mãos entorpecidas grades retorcidas
a esmagarem o verso


olhares indecifráveis
amarrados às raízes da noite.


Hoje sei de mim o sabor silvestre
nos lábios da memória


debaixo de sete palmos de terra.

Brígida Luz

4 comentários:


  1. Somos espaços fechados. E nada dirá tanto de nós, como essa terra que um dia será húmus feito de memória.

    Belíssimo!

    Um beijinho

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  2. Versos amarrados às raízes da noite

    Talvez a palavra seja o rosto do silêncio
    E as faces, em desordem, os raros passos que nomeiam a manhã

    "Tantas coisas se passam dentro da (tua) palavra"
    que é impossível ficar indiferente

    Sempre belo, muito belo

    Bjo.


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