sexta-feira, 24 de agosto de 2012

(in)lucidez


… a procurar o tempo
dentro dos meus olhos

a abrir os poros para deixar
respirar as palavras
não ditas

a reorganizar a superfície
da pele

como quem mergulha os dedos
nas brisas quentes
das memórias
para transcender as dobras
do silêncio.

… a transformar em aves
o horizonte

a prolongar-me em preces
e gritos de luz

como quem estilhaça
a opressão das nuvens
que crescem na minha (in)lucidez.

… a procurar os teus olhos
dentro do tempo…

Brígida Luz

6 comentários:

  1. Também eu por vezes procuro o tempo dentro dos meus olhos e "abro os poros para deixar respirar as palavras não ditas"

    Intenso e belo, este poema.

    Bjinhos

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  2. Belo este poema acompanhado de não menos bela imagem.
    Sinal do tempo e dos tempos.
    Cpts

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  3. O verbo canta tempo e alma a um só olhar.

    Beijo

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  4. O verso é sempre demanda
    A demanda é a busca do tempo
    O tempo nasce no verso
    (em absoluta (in)lucidez)

    Bjo.

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  5. Brígida,

    Belíssimo esse teu poema!!

    Com lindas construções poéticas,nos proporciona apreciar essa

    viagem interior,desfolhada pelo o olhar que registra a

    (in)lucidez.

    Gosto muito,muito da tua poesia.

    Beijo.

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  6. Esta dentro do tempo os olhos do coração! linda poesia, se permitir quero segui-la! abraços

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