No sopro que antecede o escuro
uma vertigem de escarpas. E o vento
sem aviso
desce pela espinha
no silêncio que antecede o arrepio.
Atravessa-me um fio de sal
trazendo o rumor de plantas que sobrevivem à aridez
e se erguem
obstinadas
sobre o mar
que insiste em não dormir.
Fico à beira das vozes onde o chão
se torna uma promessa frágil
e deixo que a mão
em concha
derrame o que o medo não consegue guardar.
A noite
estendida como um acorde lento
desenha mapas que não conheço.
E enquanto a insónia se aproxima
visto um casaco de constelações
sobre o cansaço das preces
aprendendo devagar a atravessar a escuridão.
BL
18.08.26
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