Existem presenças que se apagam devagar
como quem limpa o pó de uma memória antiga
sem medo do que fica a brilhar
por baixo.
Haverá sempre algo que nos resguarda da erosão do tempo.
Mesmo quando a cosmética
é apenas um gesto contra o envelhecimento
que insiste em pousar
é apenas um gesto contra o envelhecimento
que insiste em pousar
nas falésias da alma.
Há um espaço por acabar
um livro que respira nas margens
uma música
que se inclina sob a voz rouca
dos sonhos que ainda não desistiram.
uma música
que se inclina sob a voz rouca
dos sonhos que ainda não desistiram.
E nesse lugar
entre o que se perdeu
e o que permanece
desce um céu sem nome
uma claridade que desfaz distâncias
como se a loucura fosse apenas
o modo mais íntimo de permanecer viva.
BL
17.08.26
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