Quando o voo é ausência
e memória.
Cai no poema o som aflito
do restolho ofegante.
Um eco mordido pelo medo da página onde o início
é regresso.
Queimo fotografias guardadas
no interior do olhar
agarro com as duas mãos as portas do futuro.
E deixo que o vento me redesenhe os contornos
e em cada sopro invento a palavra
que ainda não encontrou o corpo onde pousar.
BL
30.06.26
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