sábado, 27 de junho de 2026

Um sopro de claridade

 




Há um corpo que se move

devagar.

Uma pausa

como se estivesse a meio

de uma respiração.

 

O ritmo de um início

que não começa

 

um passo que ainda

não pousou.

 

Há um gesto

quase fenda

uma porta entreaberta.

Textura rarefeita

 

um passo invisível

antes do primeiro.

 

Há qualquer coisa simples

uma espécie de claridade.

 

Ou uma espécie de segredo

daqueles que só o verão entende.

 

Há um silêncio

a ressoar.

Um sopro de um lugar anterior

um fragmento do que poderia ser.

 

Um fio do infinito

a continuar a mover-se

sem ruído.




BL

27.06.26





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