Há um corpo que se move
devagar.
Uma pausa
como se estivesse a meio
de uma respiração.
O ritmo de um início
que não começa
um passo que ainda
não pousou.
Há um gesto
quase fenda
uma porta entreaberta.
Textura rarefeita
um passo invisível
antes do primeiro.
Há qualquer coisa simples
uma espécie de claridade.
Ou uma espécie de segredo
daqueles que só o verão entende.
Há um silêncio
a ressoar.
Um sopro de um lugar anterior
um fragmento do que poderia ser.
Um fio do infinito
a continuar a mover-se
sem ruído.
BL
27.06.26
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