domingo, 18 de janeiro de 2026

Esse milímetro que nos separa

 







Eu sinto-te
antes de te tocar
como quem reconhece o calor de uma chama.


Aproximo-me
devagar
porque cada gesto teu
é um lugar onde eu ainda não estive
e quero aprender o caminho
sem pressa.

 

Somos dois corpos a adivinharem-se
a medirem o pulso um do outro
sem nunca encostarem a pele


como se o toque fosse uma promessa
que se cumpre apenas quando o mundo adormece.

 

E
no entanto
existem momentos
em que quase te alcanço
o milímetro em que cabe quase tudo:
o que não digo
o que tu calas
o que tememos
sem admitir.

 

Se algum dia o espaço ceder
se o milímetro se render
não sei se o universo vai expandir
ou colapsar.

 

Mas sei que [por um instante]
o centro dele vai caber na palma da tua mão
e na minha.





BL

18.01.26






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