quinta-feira, 16 de junho de 2016

Desmemória de [os] deus[es]

O meu olhar de terra
preso ao gesto.
Ao esgar de dor
que sobe a estrada
lento lento.

Terra ventre árvore
perdida de folhas
e de pássaros
seca
de esperas
e de tempo.

Idade
de todas as idades
abraça o ramo
único
que lhe sobra

e o ninho
onde a alma
exausta
segura o fio de luz em que
um dia
escreveu sementes.

O meu olhar de árvore
preso ao gesto.
À mansidão do amor
que vai além da fé
e já não teme a morte.

Sopro de tudo
o gesto
que não pede nada.

Brígida Luz

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