quarta-feira, 28 de maio de 2014

Em que estrela repousará teu rosto?





 
 
Em que estrela repousará teu rosto?

Em que lugar dança a primavera?

Eu sou as flores que murcham

sobre a mesa, um nome quieto

à tua espera.

Procuro a tua voz no rodopio das árvores

e do vento caem nomes

e nuvens da infância. Preciso das tuas mãos puras

para descer a chuva

ou mover as pedras.



Convoco o esquecimento

para escrever os dias

em sílabas que resistem a raízes

presas à maceração da pele.



Talvez seja este o tempo de partir

ou de me dividir

em silêncios [ávidos de palavras].



Em que estrela repousará teu rosto?



Brígida Luz

2 comentários:

  1. Foi com "silêncios [ávidos de palavras] que li e reli este poema excelente habitado por um rosto repousado nas estrelas...
    Beijo.

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