domingo, 2 de março de 2014

A silente concretude da pedra


Um fio suspenso
a incerteza de um traço
a invisibilidade da voz.

Como um percurso que se substitui
num intervalo mais denso
da mudança. O aparente
movimento de existir.

Gostava de entender
a silente concretude da pedra
nas raízes da noite.
Nem que fosse apenas através
de um filamento de pássaros
gelo a diluir-se no tempo
ou uma chama débil
a iluminar-me os olhos vastos de sede
da primeira água da manhã.



Brígida Luz

3 comentários:

  1. A busca pela matéria mais nobre das coisas, sina do poeta!

    Muito belo!

    Um beijo

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  2. Um rasgo
    uma intuição
    mas sempre o fatalismo
    De nos sentirmos colados ao chão.

    Gostei muito, Brígida!

    Beijo :)

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