sábado, 3 de novembro de 2012

Acabo muitas vezes por voltar




Acabo muitas vezes por voltar
e
a pouco e pouco
por saber de mim.


Dispo-me de distâncias
e olho-me
memória
a esgotar-se na efemeridade
de um tempo de colheitas
de sonhos que sonhei
quando o tempo e eu éramos
entendimento e certezas
e levávamos connosco uma réstia de céu azul
como quem se resguarda
da mutabilidade do silêncio.


Acabo muitas vezes por voltar.
Ao rio sem fim entre o partir e o ficar
à eternidade de momentos
de que só germinaram memórias.


Brígida Luz

8 comentários:

  1. Brígida,
    O regresso às origens é gesto sempre a repetir, seja qual for o nosso caminho. Foi aí que tudo começou, não há melhor sítio para o balanço e para a reformulação.

    Beijo :)

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  2. O tempo é circular
    Move-se entre espaços
    enquanto
    Entre-espaços circulam ciclos
    Como circuferente movimento

    Nas horas geminadas
    A memória faz-se verso
    Como aparente entendimento

    Acabo sempre por partir

    Muito belo

    Bjo.

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  3. E como são bons esses regressos... mostram o rumo, o caminho... e depois incendeiam a vontade, a urgência de novas partidas e descobertas.
    Muito bonito. Beijo

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  4. são nas recordações, que tantas vezes lembramos o afecto,

    mas é preciso partir, para voltar.

    adorei, tua escrita é magnifica !

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  5. por vezes, acabamos por voltar, porque por mais que queiramos, não nos deixam realmente partir...
    regressamos, mas uma parte de nós fica sempre lá, onde temos a certeza de que somos felizes...

    Magnólia

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  6. Belíssimo poema!!

    A viagem por dentro(interior),a dança do sentir em sonhos,os

    registros da memória dos instantes que pulsa a vida...

    A tua poesia é um porto de inspiração,onde "acabo muitas vezes

    por voltar" e permanece em mim, a beleza do teu universo

    poético...

    Sempre bela a tua poesia!!

    Beijinho,Brígida.

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  7. Olá Brígida!
    Na impossibilidade de comentar tudo o que li, quero dizer que gostei da sua poesia.Esta viagem ao passado é muito íntima, e há uma infinidade de recordações, de desejos e de esperanças por cumprir.Um abraço.
    Maria Emília

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