terça-feira, 4 de setembro de 2012

Linguagem desfocada de um fio de água



Ontem, pintava telas
em poemas de linho

dedilhava sílabas como quem poisa
num beijo de borboleta

acendia violinos
sobre o cansaço das pedras.

Na chama do espelho
aquele fio de água clara
a viajar na alma

o vento da eternidade
a olhar para além de mim.

Hoje, o caos
no odor a terra queimada

o sol a sangrar silêncios
nos murmúrios da noite

a pedra a sobreviver

com os pés descalços
pelos caminhos secos

de um destino nu.

Brígida Luz

5 comentários:


  1. Um destino nu, rasto de cinzas e sombras onde nada mais há que o negrume dos reflexos a morrerem de sede, à beira de um fio, tão claro,de água.
    Nem as pedras sobrevivem a tanta solidão.

    Apenas me ocorre dizer-te; Obrigada!!
    Um beijinho, Brígida.

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  2. Linda poesia! A pedra sobrevivente de um destino nu!

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  3. Há uma leveza de asas sobre as metáforas, uma luz âmbar que passa a roças encantamentos.

    Belíssimo!

    Lídia

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  4. Mas há sempre um fiozinho de esperança que permanece na pedra que sobrevive às intempéries do tempo e dos sentidos...

    Como sempre...maravilhosas palavras.

    A. Luz

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