domingo, 9 de setembro de 2012

Estações



Não sei onde começa não sei onde se acaba
a rua onde me ajeito. Sei os pássaros
que entreabrem as janelas
e o cansaço do silêncio que ateia o fim da tarde
na cal das fachadas.

Dobro as estações para além
de horas impalpáveis
cruzo muros e sombras alagadas
transponho os limites de um oceano
a que não pertenço.

Corro corro corro
não sei o fim da rua onde me aceito
e sou ontem
vento
rio
asas
de ontem
dentro do teu peito.

Brígida Luz




6 comentários:

  1. Uma bela mensagem e a sempre bela geometria das palavras.
    Um encanto.

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  2. Belíssimo este trazer à luz do presente outros, nestes caminhos.

    Um beijo

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  3. "não sei o fim da rua onde me aceito"

    Como uma gota de água de um Oceano inteiro!

    Lindo!!

    Um beijinho

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  4. Lindo o teu poema... A contemplação da plenitude,o Ser-natureza

    que segue a seta do sentir...

    A tua poesia musicalmente toca na alma!!

    Beijinho,Brígida.

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  5. Sou as horas que passaram, os tempos que foram…
    A saudade…

    belo e muito tocante tua poesia.

    Beijo

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