sexta-feira, 14 de junho de 2013

Intermitências



Anoitece
a folha onde escrevo,
sustentáculo de dias de água
e primaveras dissimuladas,
vazios ambíguos, preenchidos
por hipóteses
ou intuição.
Talvez um espaço,
num tempo de permeio,
antes do agasalho da memória. Quando a voz,
ainda rouca,
oscila entre a aproximação
do olhar
e o silêncio do gesto entrelaçado
da palavra.
Indistinta, no voo indecifrável
das imagens,
demoro o corpo na ramagem
liquefeita
e fico à espera. Hei de recolher a manhã
nas minhas mãos.

Brígida Luz

7 comentários:

  1. É no agasalho da memória que nós poderemos encontrar o sustentáculo dos dias de água, recolhendo as manhãs nas nossas mãos.

    ResponderEliminar
  2. Belíssimo poema, como tantos outros aqui. Que talento.

    ResponderEliminar
  3. Luminoso!

    Realço:
    "Talvez um espaço,
    num tempo de permeio,
    antes do agasalho da memória.

    Um beijo

    ResponderEliminar
  4. Anoitecem os versos pousados em cansadas mãos que aguardam, sempre aguardam, a manhã

    Belo

    Bjo.

    ResponderEliminar
  5. ... e assim se constrói um poema

    que desponta
    e desvenda
    madrugadas

    Belo

    ResponderEliminar
  6. Leio-a há já muitíssimo tempo sem que me atrevesse a deixar nota de meu (enorme) agrado. Trata-se de uma poesia madura onde as metáforas são genuínas e belíssimas.

    Vou linkar o seu blog, se me permite.

    Bem haja
    Mel

    ResponderEliminar
  7. Um belo poema para ler, reler e contemplar...

    Deixo beijos!

    ResponderEliminar