sexta-feira, 3 de abril de 2026

O lugar onde estás

 








A manhã abre-se
devagar
e a luz pousa onde estivemos.

 

Presto atenção ao silêncio
à respiração suspensa
num reencontro de olhares.

 

Há lágrimas que vêm de longe
de outros corpos
de outras tentativas de amar
quando não se pôde.

 

E
ainda assim
a memória insiste em povoar-se
das imagens que escolhemos ver.

 
 
As pedras são apenas pedras
a água apenas água
os ramos apenas ramos
e
no entanto
tudo treme
com a sombra do que sentimos.

 

A claridade levanta-me
desfaz o último resto de noite
e os meus olhos abrem-se
outra vez
para o lugar onde estás.

 

Como se o mundo inteiro
nascesse desse gesto.





BL

03.04.26