segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Horizontes na memória

 




Quando a tarde se abre no corpo das horas
derrama sobre os telhados o ouro lento
[um sopro de calor
na respiração das pedras]


Os passos tornam-se rios
que deslizam na pele da cidade
e alonga-se cada sombra 
como se buscasse o repouso do vento.


Há um rumor de frutos
que amadurece no silêncio dos gestos
um destino suspenso
que se escreve na claridade dos olhos.


O tempo [do fogo viajante]
desenha na memória horizontes
e oferece ao instante
a vertigem de um sol que não se inclina.


Então
curva-se a tarde no abismo das sílabas
e o poema
ardente e secreto
cresce como um incêndio nos seios
até que o universo se recolha
na inocência de um circular crepúsculo.





BL

08.12.25





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