Eu sou barulho.
Sou trovão preso na garganta
sou incêndio que não se apaga.
A solidão tentou domar-me
pôs-me coleira
chamou-me fraca.
Mas eu mordi a mão
que me alimentava com migalhas de afeto.
Sou excesso.
De pensamento
de desejo
de tudo o que não cabe em ninguém.
curvada
vazia.
Mas eu sou tempestade.
E tempestade não pede licença.
que seja com fúria.
Que o eco do meu grito
faça tremer os muros
dos limites que nunca me couberam.