O ruído nasce em círculos
metal líquido
a tentar escrever o mundo
com mãos trémulas.
No centro do redemoinho
a paz é um pássaro imóvel
um olho que não pisca
um nome que ninguém pronuncia.
a paz é um pássaro imóvel
um olho que não pisca
um nome que ninguém pronuncia.
Entre ambos
um fio invisível
a vibrar.
Se o tocas
ecoa tempestade.
Se o escutas
abre-se um deserto
translúcido.
E eu caminho nesse fio
metade faísca
metade silêncio
à procura do instante
em que compreenda que a vida não espera
que eu a entenda
para continuar.
BL
12.06.26