Há também um corpo feito de margens
e de ausência
um corpo que não sabe se é nascente
ou falha tectónica
e que se inclina
para ouvir o que o silêncio não teve coragem de dizer.
Quando a noite encosta o seu rosto
à respiração da terra
o tempo torna-se líquido
uma espécie de febre imóvel
onde cada coisa é só metade do que poderia ter sido.
Resta uma criança de sal
com a boca cheia de mapas incompletos
a desenhar no ar
o contorno de um maio que nunca aconteceu.
BL
27.09.26