segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Exílio





Em tudo o que alterei

deixei atrás


títulos e endereços


risquei o esforço

de inventar


aquela que não sou.




BL

14.09.26





sábado, 12 de setembro de 2026

Cinzas





Céu suspenso

grafite.


Pássaros riscam o ar.

Traços sem lugar

medindo o silêncio.


A chuva

fio

oblíquo

carregando cinzas.


E tudo migra

sem destino.




BL

12.09.26












Sem enredo




Sou a página
que se desprende
do teu olhar inclinado

um sopro
a levantar-se
do fundo
onde me lias.


Não tenho capa. Só o gesto de nascer do teu silêncio.



BL

12.09.26






Noite de riscos






Passei uma noite

de sombras


as lâmpadas enterradas

nas paredes.


Apaguei o paraíso

para esquecer

o vendaval de cinzas

no naufrágio do chão.




BL

12.09.26






Linhas tortas





Eu engolia a chuva

de inverno

obedecia

à altura da luz.


Abreviei o tempo

na casa

inventada


lado a lado

com as sílabas.




BL

12.09.26





Distância

 



O quintal habitado

de infância.

Cumpre lonjuras


revive raízes cúmplices

roupa lavada

aprumando domingos.


Ajeito significados

em pensamentos

que não percorro.



BL

12.09.26 




quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Campo de ausência





FOTO DE JL


Claridade em suspensão.

Nada se fixa.

Tudo é fluxo

a atravessar o ar.


Partículas de ti

partículas de mim

sem direção

sem nome.


Tudo é deslocação

num campo sem tempo.


O dia não acontece.

A noite  não se recolhe.

Apenas um brilho imóvel

a oscilar

dentro do vazio.


O que se dá

o que se recebe

movimentos ínfimos

desvios quase invisíveis na matéria clara.


E todos os dias

todos

são o mesmo clarão

contínuo

a tentar permanecer.



BL

02.09.26