Desde então
espero pela súbita janela
da insónia
para que do fundo do armário
acorde um rio invisível
labirinto de hipóteses
sons avulsos a subirem até mim.
Ultrapassa-me a lonjura
concreta e nítida
passa por mim um tempo líquido
a navegar memórias.
Fala da erosão da pedra
de metáforas com cheiro a terra
das raízes subterrâneas das estações
da limpidez da eternidade.
Tocada pela seiva vagarosa
guardo o corpo da distância
a reconhecer
no escuro
a forma secreta daquilo que permanece.
BL
08.04.26