devagar
e a luz pousa onde estivemos.
num reencontro de olhares.
Há lágrimas que vêm de longe
de outros corpos
de outras tentativas de amar
quando não se pôde.
ainda assim
a memória insiste em povoar-se
das imagens que escolhemos ver.
a água apenas água
os ramos apenas ramos
e
no entanto
tudo treme
com a sombra do que sentimos.
desfaz o último resto de noite
e os meus olhos abrem-se
outra vez
para o lugar onde estás.
Como se o mundo inteiro
nascesse desse gesto.
BL
03.04.26