Há um vulto que atravessa a noite
como quem decifra o silêncio das pedras.
Nada temas.
Um dia saberás desfazer a direção das chuvas
inclinar o vento
com o gesto de um pensamento
abrir o véu onde a valsa das corujas
escreve o destino das sílabas.
Nos becos de neblina
os pássaros traçam mapas invisíveis
para lugares que só existem
quando alguém os sonha.
E tu
que recolhes ecos como quem recolhe sementes
descobrirás que cada sombra
é apenas uma luz que ainda não encontrou horizonte.
BL
11.07.26