A máquina de café pergunta por ti
no brilho elétrico da madrugada
o vapor sobe como um sinal
um código secreto na luz azulada.
Pergunta por ti tic‑tac
coração mecânico
como se o metal soubesse
o que ficou por dizer.
E eu danço na cozinha
entre sombras e refrões
a saudade entra no compasso
a memória pulsa nos botões.
A máquina insiste
ritmo quente repetido
como se cada gota fosse
um eco do teu passo perdido.
E eu respondo ao som
num sussurro que ninguém ouve
talvez voltes talvez entres
talvez o café volte a ser encontro.
Até lá
ela pergunta por ti
e eu deixo a música levar
o que ainda vibra em mim.
BL
05.04.26