Escreves prata
e eu vejo o brilho inquieto
que fica nas mãos
quando se tenta tocar o que foge.
Há fragmentos que não se recolhem
preferem correr
como se a pele fosse um rio
a aprender a sua própria direção.
As sombras que inventas
não escurecem. Germinam.
São sementes que recusam o silêncio
e procuram janelas
onde a primavera ainda respira.
Falas de olhos
onde o tempo se perdeu
mas talvez o tempo seja apenas
um viajante distraído
que regressa sempre
quando a maré o chama.
E
se as estradas são pólen de lua cheia
então cada passo é já um astro
a abrir horizontes sobre o mar.
BL
30.07.26