As paredes aprendem a caligrafia das fissuras.
E não desabam.
Perde-se a água.
Perde-se o caminho da água.
Mas uma sede anterior ao rio continua.
E
quando o mundo encerra uma das suas portas
quando o peso inclina os dias
para uma geometria de ruína
não é a esperança que permanece.
Nem a coragem.
Nem sequer o nome.
Apenas
esse grão irredutível
essa matéria sem linguagem
essa espécie de pedra anterior à pedra
que continua a erguer-se
dentro do abismo
sem motivo algum.
BL
14.10.26