Há um pássaro que pousa sempre no mesmo ramo
quando penso em ti.
Não canta.
Inclina a cabeça
escutando o que falta.
O vento sopra-me um gesto que reconheço.
Quase impercetível
como o cuidado que deixavas
nas coisas pequenas.
E um fio invisível atravessa-me o peito
estende-se em direção ao céu.
É uma raiz suspensa
a crescer ao contrário
a procurar-te no alto.
Existe um murmúrio
na pulsação da primeira estrela de cada noite.
Pronuncia o meu nome
sem voz
como se o tivesses guardado num lugar
onde só eu escuto.
A saudade é um vaso partido
que continua a guardar água.
Não sei como
não sei porquê
mas cada gota que não cai
é a tua mão
ainda a segurar.
E eu caminho assim
entre sinais que o mundo inventa
para que eu não te perca
porque és o símbolo mais antigo
que o meu coração
conhece.
BL
07.07.26