As tuas palavras
ergueram um quarto de neblina
e eu entro descalça
para não acordar o pó.
No centro
um bibelô partido
brilha
como se guardasse
o último resto de sol.
Há fantasmas que passam.
Não assombram.
Medem o silêncio
palmo a palmo
com as mãos abertas.
As pedras que viraste
ainda respiram.
Debaixo delas
um fio de água
procura o seu próprio nome.
E quando escondeste
as interrogações
num lugar onde a sílaba
não ousa entrar
o espaço abriu‑se
numa dobra invisível
e ali ficou suspenso
o que não precisa
de resposta.
BL
13.06.26