Pela vereda
rasguei neblinas e costurei horizontes
bebi silêncios e plantei tempestades.
Apoiei o rosto no vento e toquei o sal das dunas
atravessei veias antigas e deixei memórias à deriva
amanheci na escuridão e desorientei verões.
E no regresso o compasso das horas aproxima o ocaso do primeiro lume
como se o sempre e o nunca se tocassem
no rubor de bocas circulares
em combustão contínua.