Haverá
talvez
um avesso
depois da boca.
Não um nome. Nem a sua cinza.
Apenas o rumor de qualquer coisa
que continuou a cair
quando a queda já não tinha onde acontecer.
Os mortos conhecem pequenos mecanismos do escuro.
Engrenagens de pó. Corredores sem espécie.
Ferragens antigas
trabalhando dentro da ausência.
E nós
distraídos pelo sangue
chamamos vida
ao intervalo entre dois esquecimentos.
Mas às vezes uma vibração atravessa a matéria.
Não vem de fora. Não vem de ninguém.
É o resto dos passos que perderam o corpo
e continuam.
Como se o silêncio procurasse ainda
uma forma de ruído.
BL
28.10.26