Céu suspenso
grafite.
Pássaros riscam o ar.
Traços sem lugar
medindo o silêncio.
A chuva
fio
oblíquo
carregando cinzas.
E tudo migra
sem destino.
BL
12.09.26
"A minha resistência / à morte do pensamento." Fiama Hasse Pais Brandão
Céu suspenso
grafite.
Pássaros riscam o ar.
Traços sem lugar
medindo o silêncio.
A chuva
fio
oblíquo
carregando cinzas.
E tudo migra
sem destino.
BL
12.09.26
Sou a página
que se desprende do teu olhar inclinado
um sopro a levantar-se do fundo onde me lias.
Não tenho capa. Só o gesto de nascer do teu silêncio.
BL
12.09.26
Passei uma noite
de sombras
as lâmpadas enterradas
nas paredes.
Apaguei o paraíso
para esquecer
o vendaval de cinzas
no naufrágio do chão.
BL
12.09.26
Eu engolia a chuva
de inverno
obedecia
à altura da luz.
Abreviei o tempo
na casa
inventada
lado a lado
com as sílabas.
BL
12.09.26
O quintal habitado
de infância.
Cumpre lonjuras
revive raízes cúmplices
roupa lavada
aprumando domingos.
Ajeito significados
em pensamentos
que não percorro.
BL
12.09.26
FOTO DE JL
Claridade em suspensão.
Nada se fixa.
Tudo é fluxo
a atravessar o ar.
Partículas de ti
partículas de mim
sem direção
sem nome.
Tudo é deslocação
num campo sem tempo.
O dia não acontece.
A noite não se recolhe.
Apenas um brilho imóvel
a oscilar
dentro do vazio.
O que se dá
o que se recebe
movimentos ínfimos
desvios quase invisíveis na matéria clara.
E todos os dias
todos
são o mesmo clarão
contínuo
a tentar permanecer.
BL
02.09.26