os restos
e talvez o que deixaste neles
quem regressa
quando a casa se cala.
Arrastam-se pelo chão
animais feridos
farejam-te o pulso
procuram o sal
que esqueceste nos cantos da noite.
os restos
e talvez o que deixaste neles
quem te chama pelo nome
com vozes de ferrugem.
Abrem portas que juraste trancadas
remexem gavetas
onde dormem cartas sem rosto
e espalham pelo corredor
as migalhas do que foste.
devagar
com a paciência dos que sabem esperar.
Sentam-se à beira do teu corpo
tocam-te o ombro
com dedos de pó e de abandono.
Recolhem
um a um
os pedaços que deixaste cair
em madrugadas
que não voltam.
BL
27.03.26