quinta-feira, 5 de março de 2026

O ofício de desenhar o vento

  


 

 

Todos os nomes aprenderam a flutuar.
Desabitaram o teu rosto.
Pássaros que descobrem
que o céu é maior
do que o ninho.

 

Sobrou o silêncio.
Eco de água pousado na pele

e a memória
onde ainda te procuro

devagar.

 

As palavras
órfãs
deram às mãos o ofício de te desenhar.
Linha a linha
como quem tenta reconstruir o vento.

 

E
no entanto
há um lume que persiste.

Um rumor de marés [por dentro]
como se o teu nome [mesmo ausente]
continuasse a acender o mundo.










BL
05.03.26










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