sábado, 28 de março de 2026

Pó e pedras

 



Não sem que olhes

mais uma vez

a janela perdida entre escombros.


Os teus olhos a arderem sobre o pó.

Os teus pés rasgados sobre as pedras.

[força quieta

quase sísmica]

 

Diante de ti

a realidade é agora

um mundo envelhecido de silêncio.

 

Não existem metáforas soterradas.

 

À distância

o tempo.

Parado.

 

Não se é criança

quando o tempo

longínquo

parado

desaba

sem aviso

diante de ti.

 

Cresces

quando o mundo te empurra

para dentro de ti.

Quando te fecha uma porta

e te deixa no lado errado.

 

Cresces

quando o mundo te obriga

a ficar de pé

entre ruínas.

 

À espera de que algum fragmento

ainda saiba dizer futuro.





BL

28.03.26






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