Escreves prata
e o brilho inquieto permanece nas mãos
como um rumor de fuga
que o gesto não alcança.
Há fragmentos que recusam abrigo.
Correm.
A pele
procura a sua própria nascente.
As sombras que inventas não escurecem.
Abrem-se.
Sementes insubmissas
a rasgarem o silêncio
à procura de uma janela
onde a primavera ainda respira.
Falas de olhos
onde o tempo se extraviou.
Talvez o tempo seja apenas
um viajante distraído
que regressa
quando a maré o chama pelo nome.
E se as estradas são pólen de lua cheia
cada passo é já um astro
a desdobrar horizontes
sobre o mar que nos pensa.