quinta-feira, 30 de julho de 2026

Sementes e janelas

 



Escreves prata

e eu vejo o brilho inquieto

que fica nas mãos

quando se tenta tocar o que foge.


Há fragmentos que não se recolhem

preferem correr

como se a pele fosse um rio

a aprender a sua própria direção.


As sombras que inventas

não escurecem. Germinam.

São sementes que recusam o silêncio

e procuram janelas

onde a primavera ainda respira.


Falas de olhos

onde o tempo se perdeu

mas talvez o tempo seja apenas

um viajante distraído

que regressa sempre

quando a maré o chama.


E

se as estradas são pólen de lua cheia

então cada passo é já um astro

a abrir horizontes sobre o mar.




BL

30.07.26








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