quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Campo de ausência




Claridade em suspensão.

Nada se fixa.

Tudo é fluxo

a atravessar o ar.


Partículas de ti

partículas de mim

sem direção

sem nome.


Tudo é deslocação

num campo sem tempo.


O dia não acontece.

A noite  não se recolhe.

Apenas um brilho imóvel

a oscilar

dentro do vazio.


O que se dá

o que se recebe

movimentos ínfimos

desvios quase invisíveis na matéria clara.


E todos os dias

todos

são o mesmo clarão

contínuo

a tentar permanecer.



BL

02.09.26