terça-feira, 7 de julho de 2026

A tua voz

 




Há um pássaro que pousa sempre no mesmo ramo

quando penso em ti.

 

Não canta.

Inclina a cabeça

escutando o que falta.

 

O vento sopra-me um gesto que reconheço.

Quase impercetível

como o cuidado que deixavas

nas coisas pequenas.

 

E um fio invisível atravessa-me o peito

estende-se em direção ao céu.

É uma raiz suspensa

a crescer ao contrário

a procurar-te no alto.

 

Existe um murmúrio

na pulsação da primeira estrela de cada noite.

 

Pronuncia o meu nome

sem voz

 

como se o tivesses guardado num lugar

onde só eu escuto.

 

A saudade é um vaso partido

que continua a guardar água.

Não sei como

não sei porquê

 

mas cada gota que não cai

é a tua mão

ainda a segurar.

 

E eu caminho assim

entre sinais que o mundo inventa

para que eu não te perca

 

porque és o símbolo mais antigo

que o meu coração conhece.




BL

07.07.26




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