Não deixei pássaros ao abandono.
Cresceram-me folhas nos ombros
quando a borboleta voou de um dente-de-leão.
A pele abria-me pequenas janelas de luz
por onde o vento entrava devagar.
Aprendia a tocar um nome esquecido.
As raízes chamavam-me pelos pulsos
e cada passo deixava no chão
um eco de pétalas indecisas
metade silêncio
metade voo.
Não deixei pássaros ao abandono.
Foram eles que me ensinaram
a guardar o céu nos ossos
e a ouvir o que cresce
no lado secreto das horas.
BL
19.03.26
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