sábado, 13 de junho de 2026

O nome da água

 






As tuas palavras
ergueram um quarto de neblina
e eu entro descalça
para não acordar o pó.

 

No centro
um bibelô partido
brilha

como se guardasse
o último resto de sol.

 

Há fantasmas que passam.
Não assombram.
Medem o silêncio

palmo a palmo
com as mãos abertas.

 

As pedras que viraste
ainda respiram.

Debaixo delas
um fio de água
procura o seu próprio nome.

 

E quando escondeste
as interrogações
num lugar onde a sílaba
não ousa entrar

o espaço abriu‑se
numa dobra invisível


e ali ficou suspenso
o que não precisa
de resposta.




BL

13.06.26




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