sexta-feira, 12 de junho de 2026

A fio nu

 




O ruído nasce em círculos
metal líquido
a tentar escrever o mundo
com mãos trémulas.

 

No centro do redemoinho
a paz é um pássaro imóvel
um olho que não pisca
um nome que ninguém pronuncia.

 

Entre ambos
um fio invisível

a vibrar.
Se o tocas

ecoa tempestade.
Se o escutas

abre-se um deserto

translúcido.

 

E eu caminho nesse fio
metade faísca
metade silêncio
à procura do instante
em que compreenda que a vida não espera
que eu a entenda
para continuar.






BL

12.06.26





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