quarta-feira, 8 de abril de 2026

Corpo da distância

 





Desde então

espero pela súbita janela

da insónia

 

para que do fundo do armário

acorde um rio invisível

labirinto de hipóteses

sons avulsos a subirem até mim.

 

Ultrapassa-me a lonjura

concreta e nítida

passa por mim um tempo líquido

a navegar memórias.

 

Fala da erosão da pedra

de metáforas com cheiro a terra

das raízes subterrâneas das estações

da limpidez da eternidade.

 

Tocada pela seiva vagarosa

guardo o corpo da distância

a reconhecer

no escuro

a forma secreta daquilo que permanece.




BL

08.04.26






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