Não entendes o que eles dizem
e eles não param para te escutar.
As suas palavras passam por ti
lâminas cegas
cortam [sem intenção]
ferem [sem saberem.]
O abandono instala-se devagar
água fria a fluir nas tuas veias.
Os gestos
os rostos
o próprio ar
deixam de te reconhecer.
A raiva cresce onde a voz não chega.
Há um animal fechado
a roer-te o peito por dentro
a pedir saída
a pedir mundo
a pedir que alguém te veja
antes que te desvaneças.
E resistes.
Chama frágil
clandestina
que insiste em não morrer.
Um lume que não aquece
ilumina
para que não te percas de ti.
E assim segues.
Entre o que te falta
e o que te sobra.
Entre o que te negam
e o que ainda guardas.
Um corpo que avança
mesmo quando o caminho
não lhe pertence.
Um silêncio que resiste
mesmo quando ninguém
o sabe escutar.
BL
07.04
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