Há um lugar onde o mundo não chega
um vão de sombra
onde os nomes se desfazem
antes de tocarem a boca.
Ali
o silêncio tem ossos
e range.
A pele aprende a encolher-se
para caber no que lhe negam.
As ruas passam ao lado.
Rios que recusam o náufrago.
Há rostos que não olham.
Portas
a selarem o ar.
Ao fundo da escuridão
cresce um rumor de gente
que desaprendeu o gesto de existir.
Corpos suspensos
como se a vida fosse um corredor
onde nunca se entra.
E há um frio
a vir do lugar exato onde o mundo decide
quem fica dentro
e quem se apaga.
BL
06.04.26
Sem comentários:
Enviar um comentário