segunda-feira, 6 de abril de 2026

Corpo à margem

 






Há um lugar onde o mundo não chega
um vão de sombra
onde os nomes se desfazem
antes de tocarem a boca.

 

Ali

o silêncio tem ossos
e range.
A pele aprende a encolher-se
para caber no que lhe negam.

 

As ruas passam ao lado.
Rios que recusam o náufrago.

 

Há rostos que não olham.
Portas
a selarem o ar.

 

Ao fundo da escuridão
cresce um rumor de gente
que desaprendeu o gesto de existir.
Corpos suspensos
como se a vida fosse um corredor
onde nunca se entra.

 

E há um frio
a vir do lugar exato onde o mundo decide
quem fica dentro
e quem se apaga.




BL

06.04.26





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