domingo, 5 de abril de 2026

A máquina de café pergunta por ti

 





A máquina de café pergunta por ti
no brilho elétrico da madrugada
o vapor sobe como um sinal
um código secreto na luz azulada.

Pergunta por ti tic‑tac
coração mecânico
como se o metal soubesse
o que ficou por dizer.

E eu danço na cozinha
entre sombras e refrões
a saudade entra no compasso
a memória pulsa nos botões.

A máquina insiste
ritmo quente repetido
como se cada gota fosse
um eco do teu passo perdido.

E eu respondo ao som
num sussurro que ninguém ouve
talvez voltes talvez entres
talvez o café volte a ser encontro.

Até lá
ela pergunta por ti
e eu deixo a música levar
o que ainda vibra em mim.




BL

05.04.26










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