segunda-feira, 29 de junho de 2026

Nas margens da metáfora

 





Quantas vezes morremos

no paradoxo de palavras onde nos abrigamos.

 

Às vezes

renascemos

clandestinos

no intervalo ínfimo entre duas sílabas

que não ousámos dizer.

 

Talvez a morte seja

um desvanecer

l e n t o

 

nas margens da metáfora.

Um regressar

ao barro primordial

onde todas as imagens se confundem.

 

E

no instante em que tudo

parece ruir

poderá uma palavra pequena abrir

uma fenda mínima no escuro

e deixar entrar um

                               eco

 

para que o corpo permaneça inteiro

a arrastar

para __________________________________longe

a voz das cinzas.




BL

29.06.26




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