terça-feira, 3 de novembro de 2026

Um lugar onde as vidas cabem





 

Há quem atravesse a noite contando estrelas. 

Eu aprendi a contar ausências.

Uma ave sem espécie pousa na nervura do ar.  

Não canta. Inclina o mundo.

Foi então que as tuas mãos 

distraídas da matéria

abriram uma clareira onde o impossível respirava.

Desde esse dia 

a água esqueceu o seu nome 

as pedras passaram a sonhar raízes 

e os relógios deixaram cair migalhas de eternidade.

Não sei se era milagre. 

As fadas

talvez lhe chamassem casa.

Eu apenas vi 

um poema crescer para lá do corpo 

e uma vida 

depois outra 

caberem inteiras 

na sombra de uma sílaba.




BL

03.11.26



 


Sem comentários:

Enviar um comentário