Há quem atravesse a noite contando estrelas.
Eu aprendi a contar ausências.
Uma ave sem espécie pousa na nervura do ar.
Não canta. Inclina o mundo.
Foi então que as tuas mãos
distraídas da matéria
abriram uma clareira onde o impossível respirava.
Desde esse dia
a água esqueceu o seu nome
as pedras passaram a sonhar raízes
e os relógios deixaram cair migalhas de eternidade.
Não sei se era milagre.
As fadas
talvez lhe chamassem casa.
Eu apenas vi
um poema crescer para lá do corpo
e uma vida
depois outra
caberem inteiras
na sombra de uma sílaba.
BL
03.11.26
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