Suspenderia o tempo
nas flores de miosótis em que tecias o azul das tardes
e a limpidez dos teus olhos vertia na minha pele
a luz onde a estrada começava
e crescia
a (en)formar o gesto
e a palavra.
Escutavas os meus cansaços
entre o perto e a lonjura
das minhas assimetrias
e nas tuas mãos de abrigo eu sentia
o tronco da sabedoria
quando às minhas verdades inteiras
tu sorrias
tu sorrias.
Por vezes sabe-me a lodo
a estrada
derrama-se pelo chão a linha do horizonte
consomem-se os dias
por entre a nostalgia da terra molhada.
Ajusto o tempo à memória
e na textura da tua voz
regresso à doçura da casa
no silêncio de um tempo de raízes e regaços
que flutua na poeira dos meus passos
entre as rugas do crepúsculo
e os escombros das esperas.
BL