As palavras não nos pertencem.
Apenas atravessam a pele
como aves que transportam no bico
fragmentos de incêndio e de neblina.
Debaixo das pálpebras
guardamos pequenos estilhaços de horizonte
a luz incompleta das coisas perdidas
a paciência das pedras voltadas para o mar.
E quando o silêncio regressa
regressa vestido de raízes.
regressa vestido de raízes.
Então percebemos
que ninguém transporta memórias.
que ninguém transporta memórias.
São as memórias que nos transportam
através daquilo que fomos
através daquilo que fomos
para esse lugar sem mapa
onde a esperança e o desencanto
ainda dormem sob o mesmo rumor de folhas.
onde a esperança e o desencanto
ainda dormem sob o mesmo rumor de folhas.
BL
11.10.26
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