Depois vieram os relógios.
Vieram as portas que se fecham por dentro.
Vieram as vozes habituadas ao peso e os mapas que esqueceram o assombro.
Mas
às vezes
quando a noite deposita uma pequena fogueira sobre a face das casas
alguma coisa regressa.
A forma antiga de escutar.
Então o coração reconhece uma claridade sem idade
um lugar que nunca abandonou verdadeiramente.
E caminha para ele.
Sem pressa.
Como quem regressa a uma casa
que apenas sobrevive na inclinação da memória.
O caminho não tem nome.
Há ramos movendo-se dentro da sombra.
Há uma luz dispersa entre as pedras.
Há o rumor de qualquer coisa viva respirando sob as ruínas.
Então
entre os escombros do tempo
encontra um pequeno animal de luz
a dormir.
BL
29.10.26
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